quarta-feira, 16 de agosto de 2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Jornal Local: ovo

No semáforo entre as duas igrejas do Chiado, um solteiro mascarado de pinto a sair do ovo e uma freira oficial. Jornal Local estava lá, esta manhã, para atestar da veracidade da imagem. Um ovo e uma freira, lado a lado, à espera do sinal — como não pensar em Clarice?

Talk about power music

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sublinhado Clarice Lispector

"O que eu quero contar é tão delicado quanto a própria vida."



(A descoberta do mundo, Clarice Lispector)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Um poema de Jim Jarmusch

Um poema de José Tolentino Mendonça


Poética


O poema segue as premissas da guerrilha urbana. Jamais revela identidades e endereços. Estabelece que pontos de contacto não sejam escritos, apenas memorizados. Cancela dos seus arquivos nomes legais ou ilegais e toda a espécie de informação biográfica, mapas e planos. Não permite a ninguém conhecer a globalidade dos elementos em campo.


 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Automóveis, escultura, arte abstrata, palavras — uma lição de Giacometti

É na Paris Review: Giacometti at the Salon d'Auto.

"No statue can ever take the place of another because a statue is not a simple product. It is many things besides: it is both a mystery and a solution, a question and a reply. A statue can be neither finished nor perfect. Such considerations are irrelevant." 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sublinhado Vicente Sanches

"Este bilhete que eu comprei, depois de ganhar os três primeiros prémios nos três últimos sorteios, este bilhete para a Lotaria de hoje, — significa a minha última esperança de perder. Se me sai premiado... se me volta a sair premiado..."


(Um homem de sorte, Vicente Sanches)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sublinhado Joseph Roth

"You can say 'I want' twice, 'I love' once, 'I shall' twice, 'I'm dying' once.”

(The silent prophet, Joseph Roth)

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Albuquerque Mendes na Rua dos Caetanos!

Na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, palhaços com tanta graça que nem cabem nas telas. E outras coisas assim:



 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Teatro político em Guimarães

No Reino Unido, há eleições com o Brexit no centro. Em Guimarães, o Falstaff de Shakespeare fala "para toda a Europa".

Henrique IV parte 3 acende-se hoje à noite na caixa negra do CIAJG, no Festival Gil Vicente.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Em Arcos de Valdevez, Henrique IV parte 3

(Perdoem-me a rima.)
Hoje, na Casa das Artes, vamos ver o que acontece quando o Falstaff de Shakespeare aterra no Minho.


                                                                                                                                     (fotografia ©Susana Neves/TNSJ)


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sobre uma fotografia de Francesca Woodman (2)

O nome da flor, pesado contra a parede. Na casa monocromática a minha palavra é transparente demais. Não, não é isto que quero dizer. Retiro o que disse. Perdoem-me tudo daqui para a frente. A arte é aresta.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

"Sim, sigam o dinheiro. Mas sigam também as mentiras"


Steve Bell, no Guardian.

E Ryan Lizza, na New Yorker, lembrando lições do Watergate. "There is now significant evidence that President Trump has been trying to cover up something related to the F.B.I.’s Russia investigation. We just don’t know what it is."

terça-feira, 23 de maio de 2017

Com Manchester, contra o terror

                                           (fotografia Oli Scarff/AFP/Getty Images)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Fora, Temer! Vai, Brasil!

                                                                                          (fotografia Reuters/Pilar Olivares)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Alô, Europa? O mundo está a chamar-nos


Às vezes, é preciso ganhar distância para conseguir ver algumas grandes verdades. Diz Roger Cohen no NYT que 2017 pode vir a ser o ano da Europa. Mais união, mais democracia, mais solidariedade. Vamos a isso?

terça-feira, 16 de maio de 2017

Alô, RAP?

Aqui Malcom Gladwell lança questões importantes sobre a sátira política nos dias de hoje, seus limites e desafios.
Um dos exemplos trazidos à baila é, claro, o do mestre Stephen Colbert.



Mas também se chega ao Reino Unido e a Israel.
E por cá? Alô, RAP? Não era de fazer uma versão europeia para falar dos Orbáns, Le Pens, Wilders e companhia? 


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Prosa em Loulé

Hoje estarei em Loulé, no Cine-Teatro, para participar nas "Conversas à Quinta". Não é o facebook, são livros mesmo, é a vida!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Maravilha, Stevie


Jornal Local: lilás

De manhã, no Cais do Sodré, as solas de quem vai e vem fazendo um cómico som lilás. A secreta vida das plantas dos pés. Indiferente ao movimento, um senhor bem vestido, calças escuras e camisa branca, baixa-se para apanhar as florinhas caídas na calçada. Jornal Local estava lá e viu. Uma certa solenidade num gesto tão simples e inesperado. Rezaria o senhor ao deus dos jacarandás?

quinta-feira, 27 de abril de 2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

Catarina

CATARINA O nome, não o posso deixar cair ainda é tão frágil, tão breve,
                   tão — será translúcido a palavra?
                  — quando uma barra de sol atravessa o quadriculado da janela

                  e pousa uma luz das mais puras sobre o redondo que o desenha este nome sonoro e calado
                  este meu nome, tenho de o guardar
                  com o máximo cuidado
                  embalá-lo com o máximo de música
                  o máximo de silêncio desapertado
                  tenho de apertá-lo nos meus braços de ceifeira sou uma mulher antes de tudo
                  Um nome que é o seu próprio milagre
                  ou assim me parece neste claro-escuro
                  nesta noite atravessada por uma barra de sol nestes dias de não fazer nada
                  para começar a mudar tudo

                  
                  No dia da Maria desmaiada dissemos coragem
                  e dissemos justiça
                  e fizemos caminho

                  e o sol era um disco luminoso como em versos gregos que nunca hei de ler e fizemos caminho
                  e dissemos greve
                  e temos de ser fiéis aos nossos nomes 




(excerto da peça "Catarina", escrita por mim, que o grupo ACTA levou à cena com encenação de Luís Vicente, no ano passado)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sublinhado Joy Williams 3

"(...) the birds were as invisible as God when we went over to visit the Lancasters for cocktails at dusk."


(Ninety-nine stories of God, Joy Williams)

Voltaram os Do Amor!




Dá para espreitar aqui. Música de imaginações mil.
(Os Quais entram na festa em Eletricidade.)

quarta-feira, 29 de março de 2017

P. M. P.


Daqui a bocado, quando passarem vinte minutos do meio-dia, é entregue, por mão própria, a famosa carta do artigo 50, pondo em andamento o relógio do Brexit. Parece um conto meio abstrato meio absurdo, mas é História e é triste. 
A negociação promete — já leram o artigo de Michel Barnier?

segunda-feira, 27 de março de 2017

Dia mundial de Vicente Sanches


Obras completas, de Vicente Sanches

Dia mundial da pergunta

Neste dia especial, Ricardo Jorge Fonseca fez a pergunta do teatro a várias pessoas, no Jornal de Notícias. A minha resposta foi esta: 

O teatro está em perda, sim. Como a política, o jornalismo e o tempo para uma boa conversa. O "facebookismo" dominante é a negação do espírito de cidade — estarmos juntos numa sala de espetáculos, numa praça ou num parlamento, e não fechados nos nossos ecrãs a ouvir só os que pensam como nós e a odiar todos os outros. O chamado mundo da "pós-verdade" não suporta a "mais-que-verdade" da ficção. A imaginação, que busca o coração das coisas e faz as perguntas difíceis. Por isso, o teatro é ainda mais urgente hoje. Como forma de resistência, de sonho, de questionamento. E também, já agora, para não desaprendermos isso de estar junto.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Com Londres, contra o terror


Sobre uma fotografia de Joseph Eid

Aqui a ferida é a música. A música visível, um olho em ferida, um olho negro em ferida visível como música. Ouço e, enquanto ouço com o meu corpo todo, sou indestrutível. A ginástica filosófica que exige uma autêntica posição de escuta. Limpar tudo. Isto não é um cachimbo. Isto é o ponto de interrogação que fumo pensativamente livre de pensamentos, tralha, entulho, notícias. O mundo a ruir, a casa em osso, mas eu fico no meu lugar, no meu lugar de mim, enquanto a minha cara se retira musicalmente tornando-se um espaço em branco.

terça-feira, 21 de março de 2017

Dança que fica


Magia (mesmo)

A magia como arte. Senhoras e senhores, Ricky Jay! 



Quando o vi, há anos, no filme de David Mamet, não sabia quem ele era, achei só que era um ator dos diabos. Depois li este artigo de Mark Singer, na New Yorker. E agora tenho de arranjar o livro, ver o documentário, maravilhar-me mais e mais com esta mistura tão feliz de sabedoria e graça.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Teatro Rex!


Tiranossauro Rex, de Alex Cassal, está em cena no TNDM II. É teatro que, disfarçado de comédia, faz uma bela arqueologia do futuro. O quê, ainda não viram?

quinta-feira, 2 de março de 2017

Sublinhado Cleo Birdwell

"It is one of the unresearched pleasures of our time, looking out the window of a moving vehicle."

(Amazons, Cleo Birdwell)

sábado, 25 de fevereiro de 2017

“Attacking it does not make it less true”

Trump e os trumpistas atacam a verdade. E a verdade não vai embora, mas o tempo vai passando. Por este andar, quando os congressistas e senadores republicanos acordarem para a vida, o Presidente já os pode calar em nome do "verdadeiro povo"...

Ler no NYT: https://www.nytimes.com/2017/02/24/us/politics/white-house-sean-spicer-briefing.html

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

"Temos um ano, no máximo, para defender a democracia nos EUA"

Trump está empenhado em destruir a democracia nos EUA. Os sinais são claros: tentar fazer da minoria muçulmana o inimigo, tentar fazer da comunicação social a oposição, tentar fazer dos manifestantes bandidos, tentar fazer do autoritarismo patriotismo... 
É essencial ler esta entrevista de Timothy Snyder. (no Süddeutsche Zeitung)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sublinhado John Berger

"The great pole of history is notched across at the same point as the small stick of one's own life."


(G., John Berger)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Exatamente Antunes está de volta!


Exatamente Antunes, a peça que escrevi a partir de Nome de Guerra, de Almada Negreiros, já existe em livro.
O espetáculo, com encenação de Cristina Carvalhal e Nuno Carinhas, estreou no Teatro Nacional São João em 2011. Agora estreia todos os dias, na Coleção TNSJ/Edições Húmus.
E traz bónus: um belo posfácio de Pedro Sobrado.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Os dias da rádio

Hoje é dia da rádio. Todas as segundas e quartas de manhã, estou aqui, na Renascença — para discutir o mundo com o Henrique Raposo, o Miguel Coelho e a Carla Rocha.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

It's happening...

"“Hm,” said Doremus, as often Doremus did say it. “Cure the evils of Democracy by the evils of Fascism! Funny therapeutics. I’ve heard of their curing syphilis by giving the patient malaria, but I’ve never heard of their curing malaria by giving the patient syphilis!”"

(It can't happen here, Sinclair Lewis)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Sublinhado Joy Williams 2

"The cold didn't invent anything like the summer has a habit of doing and it didn't disclose anything like the spring."


(Winter Chemistry, Joy Williams)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Sobre uma fotografia de Ricardo Stuckert

O céu desce sobre nós na forma de um pássaro-peixe de lâminas, o céu rasgou-se para sair de si mesmo e revela o trovão que guardou durante tanto desde-sempre, e dentro desse bicho escuro parado no ar como um colibri há homens a olhar para cá, homens-do-céu dentro do colibri-do-céu apontando armas-de-olhos para nós, não temos medo mas temos uma força-frágil que nunca havíamos sentido antes, falamos sempre no plural porque somos um, um com este chão, este céu, este estar-vivo, e a nossa linguagem não é de falar nem de ver mas de escutar e tocar, isso oferecemos, não a roubem, estamos-silêncio, esperamos que o céu recupere bem desta ferida e regresse à sua calma certeza, ao seu velho silêncio, estamos com este momento à escuta, queremos silêncio, regresse o céu aos seus lá-em-cima de desde-sempre e caia o silêncio.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Uma ameaça à democracia

Diz Trump: “The only important thing is the unification of the people – because the other people don’t mean anything.”
No Guardian de hoje, Jan-Werner Müller explica porque é que o novo Presidente dos EUA é uma verdadeira ameaça à democracia.

domingo, 22 de janeiro de 2017

sábado, 21 de janeiro de 2017

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Filme do dia

Estreia hoje Silêncio, de Martin Scorsese.



Um filme baseado no romance de Shusaku Endo.


Desta sexta a oito, participarei — com Carla Rocha, P. Pedro Rocha Mendes sj e Henrique Raposo — numa tertúlia sobre o filme. É na Reitoria da Universidade Nova, às 18h.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ainda sobre o pré-pós-verdade

Escreve Rebecca Solnit, em From Lying to Leering, na LRB:

"Clinton was constantly berated for qualities rarely mentioned in male politicians, including ambition – something, it’s safe to assume, she has in common with everyone who ever ran for elected office. It’s possible, according to Psychology Today’s headline, that she is ‘pathologically ambitious’. She was criticised for having a voice. While Bernie Sanders railed and Trump screamed and snickered, the Fox commentator Brit Hume complained about Clinton’s ‘sharp, lecturing tone’, which, he said, was ‘not so attractive’, while MSNBC’s Lawrence O’Donnell gave her public instructions on how to use a microphone, Bob Woodward bitched that she was ‘screaming’ and Bob Cusack, the editor of the political newspaper the Hill, said: ‘When Hillary Clinton raises her voice, she loses.’ One could get the impression that a woman should campaign in a sultry whisper, but of course if she did that she would not project power. But if she did project power she would fail as a woman, since power, in this framework, is a male prerogative, which is to say that the set-up was not intended to include women.
As Sady Doyle noted, ‘she can’t be sad or angry, but she also can’t be happy or amused, and she also can’t refrain from expressing any of those emotions. There is literally no way out of this one. Anything she does is wrong.’ One merely had to imagine a woman candidate doing what Trump did, from lying to leering, to understand what latitude masculinity possesses."

Viver num mundo material 10


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Jornal Local: boca

Na Rua do Alecrim, ao fim da manhã, ao fim da subida, duas mulheres e um homem de meia-idade. Jornal Local lá estava para registar. Diz o homem, "Não faz nenhum sentido comer-se pelo mesmo sítio por onde se fala e com que se beija." Anatomia, filosofia, poesia, azia, design de equipamento?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sim, as palavras são importantes

 Excerto do discurso de despedida do Presidente Obama:

"It falls to each of us to be those anxious, jealous guardians of our democracy. Embrace the joyous task we have been given to continually try to improve this great nation of ours because, for all our outward differences, we in fact all share the same proud type, the most important office in a democracy, citizen.
Citizen. So, you see, that’s what our democracy demands. It needs you. Not just when there’s an election, not just when you own narrow interest is at stake, but over the full span of a lifetime. If you’re tired of arguing with strangers on the Internet, try talking with one of them in real life.
If something needs fixing, then lace up your shoes and do some organizing.
If you’re disappointed by your elected officials, grab a clip board, get some signatures, and run for office yourself.
Show up, dive in, stay at it."

(o discurso inteiro e o vídeo estão aqui, no NYT)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

"Against the advancing armies of Trumpismo"

Na morte de Mário Soares, que lutou pela democracia em Portugal e por uma Europa unida e democrática, a lembrança de que essas são conquistas sempre em cheque, sempre em construção. Este texto de Timothy Garton Ash ajuda a achar os nomes certos e a pensar nas respostas necessárias. Chama-se "Is Europe Disintegrating?" (NYRB)

domingo, 1 de janeiro de 2017