terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sublinhado Flannery O'Connor

"O sentido moral do escritor deve coincidir com o seu sentido dramático."   


(The Nature and Aim of Fiction, Flannery O'Connor)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Um poema de e.e. cummings


já que sentir é primeiro
quem presta alguma atenção
à sintaxe das coisas
nunca há-de beijar-te por inteiro;

por inteiro ensandecer
enquanto a Primavera está no mundo
o meu sangue aprova,
e beijos são melhor fado
que sabedoria
senhora eu juro por toda a flor.   Não chores
—o melhor movimento do meu cérebro vale menos que
o teu palpitar de pálpebras que diz

somos um para o outro: então
ri, reclinada nos meus braços
que a vida não é um parágrafo

E a morte julgo nenhum parêntesis




(do livro "xix poemas" de e.e. cummings, tradução de Jorge Fazenda Lourenço, ed. Assírio & Alvim)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Sobre uma fotografia de Jack London

Acorda! Não sabes que o teu tempo já acabou? Já estamos no futuro. Chama-se Pós-Verdade. Já ultrapassámos os relógios, o pensamento e o contacto físico. Aposto que estás a sonhar a preto e branco. Vens da época em que tínhamos cheiro, não é? Nós estamos para lá de qualquer cheiro e qualquer ideia. Aqui, no país das imagens. Pois, não acabámos com a "vida abaixo do mínimo", nem com as "notórias quebras de saúde", nem com a "célebre ausência de pulsação", mas abolimos as palavras que valiam para isso tudo, o que vai dar mais ou menos ao mesmo. Acorda, acorda! Mal abras os olhos, vais desaparecer.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Post-it em tempo de eleições

"It is the gap between the inherently ethical nature of public decision-making and the utilitarian quality of contemporary political debate that accounts for the lack of trust felt towards politics and politicians." (Ill fares the land, Tony Judt)

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Anti-Face




É preciso ler este artigo de John Lanchester na LRB, You Are the Product
Se muitas pessoas o lerem, aposto que o Facebook sofrerá um êxodo valente.

"(...) The portmanteau terms for these developments are ‘fake news’ and ‘post-truth’, and they were made possible by the retreat from a general agora of public debate into separate ideological bunkers. In the open air, fake news can be debated and exposed; on Facebook, if you aren’t a member of the community being served the lies, you’re quite likely never to know that they are in circulation. It’s crucial to this that Facebook has no financial interest in telling the truth. No company better exemplifies the internet-age dictum that if the product is free, you are the product. (...)" 

"(...) What this means is that even more than it is in the advertising business, Facebook is in the surveillance business. Facebook, in fact, is the biggest surveillance-based enterprise in the history of mankind. It knows far, far more about you than the most intrusive government has ever known about its citizens. It’s amazing that people haven’t really understood this about the company. I’ve spent time thinking about Facebook, and the thing I keep coming back to is that its users don’t realise what it is the company does. What Facebook does is watch you, and then use what it knows about you and your behaviour to sell ads. (...)" 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Muito fixe, este retrato de Fernando Pessoa




É da autoria de Riccardo Vecchio, e saiu na New Yorker.
Seria impossível, acho, um português pintá-lo assim. Parece um escritor e não um mito.